Diego Dayer |
Do amor fica sempre uma canção.
Fica um sinal na pele. Fica um sinal.
Do amor fica um sim e fica um não.
Fica o sol e a sombra. Fica o sal.
Do amor fica sempre um coração
a pulsar na memória o tempo breve
de sua chama a arder um só Verão.
Do amor fica amor que se não teve.
Fica uma réstia e um rasto de navio.
Do amor o que fica é um passar
que do amor como o tempo é ser um rio
como um rio fluir e assim ficar.
E por isso de amor este arrepio
de se morrer (de se viver) de amar.
Manuel Alegre, in “Coisa Amar (Coisas do Mar)"