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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Detalhe

Gianni Strino


este caco de espelho
queimando feito brasa  viva

memória tão breve de uma
vida sólida em princípios

e leve no que sustenta
um corpo de cabeça erguida

viver é um verbo sem saída


Lau Siqueira 

sábado, 21 de setembro de 2013

Sobre Vivência




um puta vento soprando no rosto
arrasta os cabelos os pensamentos
o canto dos pássaros e o barulho
dos carros

os espirros os gemidos os pigarros
os esquecimentos e os sentimentos
raros

viver é tão imenso
e ao mesmo tempo
um faro

uma vez sim uma vez não esses
punhados de dúvidas e uma
certeza escancarada

não sei
onde se formam as paisagens
muito menos em que navegação
o mar é a viagem

e tudo isso tem cheiro


Lau Siqueira

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Idade da perda (II)




viver é jogar a alma
num abismo e tangê-la
pelo avesso do corpo
é sempre um muito
tão pouco

até que respirar
se torne um verbo
finito

e um grito
no oco


Lau Siqueira

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Biruta

Christian Schloe


o vento chegou
invisível e apressado

correu pela planície

espalhou os pastos
fez voar as folhas

movimentou
as pétalas

carregou cigarras
e abelhas

tremulou o rio

transformou tudo
em calmaria

e nunca mais
voltou


Lau Siqueira 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Meia volta

Kate Powell Illustrations



em tudo há
uma certa desordem

ou uma ordem estranha
organizando as coisas
fora da forma

na anormalidade
da norma


Lau Siqueira

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

sábado, 10 de agosto de 2013

Pop Conclusivo

Melnikova


cada instante é o infinito
somado ao infinito de cada
instante

entre um e outro movimento
na cadeia produtiva
da imaginação

a sensualidade das luas
que mudam em cada quarto

o amanhecer que suspende
o brilho das estrelas

... e a vida é tão veloz
que qualquer instante pode
ser eterno

e que tudo mais vá pro inferno


Lau Siqueira

segunda-feira, 4 de março de 2013

Resumo

Fabrizio R.


misturo tudo
que penso e sinto
num mesmo precipício

olhos que sabem voar

certeza que nunca
retorna ao mesmo
tamanho

e sou essa imensa
eterna e lenta
mutação

um estranho
que aos poucos vai
tecendo as manhãs

(mas, isto é apenas
um resumo) 


 Lau Siqueira


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Metáfora dentro


jia lu



o bom poema
é o que arranca
a pele

(apele não
eu disse a pele)

o bom poema
nem sempre é
lindo

... bueno
já expliquei

(vou indo)



 lau siqueira

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Confesso que confesso

Olenka Dobrova


Todos os meus sentimentos
estão guardados
num bicho cheio de tentáculos

mesmo que minhas
moendas vitais pudessem
retorcer os ossos do acaso
ainda assim meus sentimentos
estariam guardados

porque o bicho e
seus tentáculos
não me deixam tecer
uma manhã suicida

este poema

este poema sim
este poema se despe dos
motivos com a única e
derradeira função de dizer que
meus sentimentos estão vivos

pulsam no poema
e correm nas veias
feito sangue

e a todo instante me dizem
que sem eles
não existo


Lau Siqueira

terça-feira, 29 de maio de 2012

Flores da pele



como um jardineiro que vai moldando 
os espaços de beleza em uma casa antiga 
vou escarpindo meus olhos sobre as vestes 
do que despe uma manhã de sanidade pouca 
num mundo em eterna convulsão 

não sei de onde virão as palavras que 
somam-se aos ventos no movimento das flores 
que de tamanha volúpia e beleza disputam 
presença com o hálito das formigas 

são renais as pedras que cobrem o estrumo 
de saberes mal digeridos e que a todo instante 
bocejam com os impulsos do ar que movimenta 
folhas espalhadas pela calçada 

na espera de uma colheita que as removerá 
como um entulho de uma beleza que nunca 
espelha seus motivos 


 lau siqueira

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Ímpeto


LAURI BLANK 


no corpo inteiro
transitam palavras
não ditas

minh’alma explode
e nasce um poema


 lau siqueira, poema vermelho

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Hu Zhen Yu

na pele de um rio
a solidão

é a uma pedra que
no meio de uma tempestade
permanece imóvel
uma provação aos ventos
a escuridão que não fere
e tantas vezes absorve
o limo
tantas vezes transborda
um cântico
ao silêncio dos românticos
coisa roendo os ossos
testando o limite do que
alimenta o ar


Lau Siqueira