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sábado, 17 de dezembro de 2022

 


que a mulher que amo seja pra sempre amada

mesmo que distante

pois metade de mim é partida

a outra metade é saudade.


Oswaldo Montenegro

domingo, 6 de novembro de 2022

Se alguém estiver chorando que seja para lavar



Se alguém estiver chorando ou não

É como aquela chuva, é como a porta se abrindo

É como a dor da virgem, do parto é a luta da nuvem

O sol alucinado penetra a nuvem que chora

O sol alucinado penetra a nuvem que brilha

Se alguém estiver chorando ou não

Que seja por motivo inspirado ou seja por brilho

Que seja pra lavar e que seja simples, preciso

Como a arquitetura da gaivota que voa

Supremo compromisso de voar leve, à toa


Oswaldo Montenegro

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Amores

Anatomy of a dancer - Carrie Graber

Cada alegria desfaz algum nó
Não é preciso entender as paixões
Cada manhã vai te encontrar
Mesmo sem você querer
Mesmo se o sono durar

Sim cabe ao amor te aliviar
Do que te cansa
Sai dança no sol solta tua voz
Que a luz te alcança
Dança
Dança
Que o mundo vai te esquecer
Que o mundo não vai lembrar
Dança
Dança

Cada surpresa desfaz o que for
Não é preciso guardar as canções
Cada intenção muda de cor
Cada alegria é uma voz
Que alguém vai ter que escutar

Sim tudo é em vão nada é em vão
Então descansa
Sim nada demais tudo se faz
Vira lembrança
Dança
Dança


Oswaldo Montenegro

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Como Se Estivesse Fora




Me diz como é que faz
Finge que eu cheguei agora
Finge que eu não sei do engano, ah!...
Finge que eu não vi
Me fala sobre mim
Como se eu estivesse fora
Mostra a foto do outro ano,é
Finge que eu não vi
Me roubei da estrela
e é como se eu fosse a luz e ela eu
Vim banhado em cor e a estrela
É o que eu fui e ainda sou em ti
E aí dói tanto vê-la
Como dói hoje olhar pra estrela
Que eu marquei em ti


Oswaldo Montenegro

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A lista


Faça uma lista de grandes amigos,
Quem você mais via há dez anos atrás!
Quantos você ainda vê todo dia,
Quantos você já não encontra mais!

Faça uma lista dos sonhos que tinha,
Quantos você desistiu de sonhar?
Quantos amores jurados para sempre
Quantos você conseguiu preservar?

Onde você ainda se reconhece,
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria,
Quantos amigos você jogou fora?

Quantos mistérios que você sondava,
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava,
Hoje são bobos e ninguém quer saber!

Quantas mentiras você condenava,
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo,
Eram o melhor que haviam em você!

Quantas canções que você não cantava,
Hoje assobia para sobreviver!
Quantas pessoas que você amava,
Hoje acredita, que amam você!



Oswaldo Montenegro

sábado, 20 de outubro de 2012

Aos filhos de Libra



Era de libra como a lua vista assim é de cor de sal
era de libra como a luz das sete estrelas
forma algum sinal
era de libra quando dá um passo atrás
pra caminhar legal
era a balança universal
era harmonia como o ritmo da vida e o carnaval
era de libra como a brisa quando passa
e ondula o trigal
mas tinha medo de saber que o jogo da verdade
era fatal
era a balança universal
era de libra e amava a paz e a justiça natural
era de libra pra poder unir a ideia
ao seu material
o simbolismo da figura da mulher
paixão arterial
era a balança universal
era de libra como a valsa, o antigo Egito e afinal
era de libra e tem a crença da beleza
e do encanto geral
a natureza da firmeza e oscilação
a simpatia e tal
era a balança universal


Oswaldo Montenegro

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Estrada Nova

Nikola Borissov 



Eu conheço o medo de ir embora
Não saber o que fazer com a mão
Gritar pro mundo e saber
Que o mundo não presta atenção
Eu conheço o medo de ir embora
Embora não pareça, a dor vai passar
Lembra se puder
Se não der, esqueça
De algum jeito vai passar
O sol já nasceu na estrada nova
E mesmo que eu impeça, ele vai brilhar
Lembra se puder
Se não der esqueça
De algum jeito vai passar
Eu conheço o medo de ir embora
O futuro agarra a sua mão
Será que é o trem que passou
Ou passou quem fica na estação?
Eu conheço o medo de ir embora
E nada que interessa se pode guardar
Lembra se puder
Se não der esqueça
De algum jeito vai passar


Oswaldo Montenegro

domingo, 1 de julho de 2012




Se alguém disser pra você não cantar
Deixar teu sonho ali pr'uma outra hora
Que a segurança exige medo
Que quem tem medo Deus adora

Se alguém disser pra você não dançar
Que nessa festa você tá de fora
Que você volte pro rebanho.
Não acredite, grite, sem demora...

Eu quero ser feliz Agora 

Se alguém vier com papo perigoso de dizer que é preciso paciência pra viver.
Que andando ali quieto
Comportado, limitado
Só coitado, você não vai se perder
Que manso imitando uma boiada, você vai boca fechada pro curral sem merecer
Que Deus só manda ajuda a quem se ferra, e quando o guarda-chuva emperra certamente vai chover.
Se joga na primeira ousadia, que tá pra nascer o dia do futuro que te adora.
E bota o microfone na lapela, olha pra vida e diz pra ela...

Eu quero ser feliz agora 

Se alguém disser pra você não cantar
Deixar teu sonho ali pr'uma outra hora
Que a segurança exige medo
E que quem tem medo deus adora

Se alguém disser pra você não dançar
E que nessa festa você tá de fora
Que volte pro rebanho.

Não acredite, grite, sem demora...

Eu quero ser feliz Agora 


Oswaldo Montenegro

segunda-feira, 25 de junho de 2012

A menina e a madrugada

 Anouk Lacasse


Da janela do quarto enluarada, a menina espia as sombras da manhã.
O vestido esvoaça, o vento é leve, o silêncio acalanta.
E quando às vezes o vento, em sussurro, vem de manso e dá carícia,
ela sonha e agradece esse ventar.
O cabelo é macio e cai no ombro, com jeito que acaba de acordar.
Uma nuvem, uma estrela,
e de repente se ouve ao longe o cantar do galo atento.
Ela sonha e respira a madrugada.
E se sente tomar conta da paisagem, sem anseio,
apenas com a calma do ambiente.
Ela pensa e a preguiça é o único sentimento.
A fusão menina e madrugada é como uma nuvem em contato com outra.
É perfeita e suave até um ponto em que se tem infantilmente o leve engano de que a menina é que está solta.
E é quase o vento que acaricia, na janela, a própria madrugada.


Oswaldo Montenegro

terça-feira, 22 de maio de 2012

A poesia morreu?



A poesia não morreu. Tá por aí, disfarçada.
Raramente se veste de rimas, pra não ser reconhecida.
Só de vez em quando aparece, assim mesmo de noite, medrosa que está de ser chamada de piegas.
Os poetas se esbarram, disfarçados como agentes secretos.
Fingem que não são, se travestem de práticos e fazem pose de "frios".
De vez em quando um boato: "Foi vista uma poesia no subúrbio. Ninguém comprovou, mas dizem..."
Mas se a poesia não morreu, o que havia no caixão, no enterro dela?
Há quem sustente que era a "certeza absoluta". Pode ser, já que esta, ninguém nega: está morta.
É levada da breca, essa menina poesia.
Como Peter Pan, jamais cresceu.
Pula do olho da avó pra menininha negra, batendo palmas diante do bolinho de seus três anos.
Anda em passarinhos, em noites de lua e em cada saudade que alguém tem coragem de confessar.
Tem um caso com o amor, embora já tenha sido vista sem ele.
Virou moderna, a poesia – quase feminista.
Nenhuma criança duvida da sua existência, daí a maioria dos adultos não acreditarem nela.
É como Papai Noel: existe sempre que alguém faz algo e lhe atribui o gesto.
Jamais aparece na política, mas ta sempre nos olhos do prefeito quando ele vê sua filha dormindo.
Jamais a poesia é visível na cidade grande, mas ta sempre no olho do menino que anda por ela.
Enquanto discutem se ela morreu, a poesia zela por nós, aconchega nossas dores e descrenças como um amigo que desse as mãos a Deus, pra levá-Lo aos humanos.


Oswaldo Montenegro

sábado, 12 de maio de 2012

Poema quebrado

imagem: rob hefferan


Eu era apenas rio
Esperando que você navegasse
Poema quebrado no frio
Num salão vazio
Esperando que você recitasse.
Eu era manhã cinzenta
Esperando de você a aurora
Um lobo de olhar em brasa
Te vendo em casa
(e o lobo do lado de fora).
E Eu era, quem diria
A melodia que jamais compusera
E Eu, que jamais daria
Era o verbo dar
Dizendo assim: quem dera!
Então não vá embora
Agora que Eu posso dizer
Eu já era o que sou agora
Mas agora gosto de ser.


Oswaldo Montenegro

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012





Será que é o trem que passou
ou passou quem fica na estação?

Oswaldo Montenegro

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Virgem

 William-Adolfe Bouguereau



Ela era virgem
E o vento alisava seus pêlos pr'ela suspirar
E era um namoro selvagem de sexo de ventania
E quando o vento não vinha
Ela mesmo corria pra ventar
Ela era virgem
E o mar só lambia suas coxas
pr'ela se molhar
E ela era só maresia em dia de tempestade.
Ela deixava a cidade e abria
suas pernas para o mar.
E roçava os cães com a pele cálida
Pássaros com a mão cobras no ar.
E amava tigres e leões gatos nos porões
E à noite dormia encharcada.


Oswaldo Montenegro

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Cigana




Eu me vesti de cigana
Pra cantar o sol
Fiz comício e deu cana
Pra cantar o sol
Ah, que riso bacana
Pra cantar o sol
Virtuosa e sacana
Pra cantar o sol
Dança, dança, dança pra cantar o sol
Todo amor que emanar, pra cantar o sol
Dança, dança, dança pra cantar o sol
Todo amor que emanar, pra cantar o sol
Fui quem se dava e se dana
Pra cantar o sol
Quem não mente, te engana
Pra cantar o sol
Quem teu hálito abana
Pra cantar o sol
Virtuosa e profana
Pra cantar o sol
Dança, dança, dança pra cantar o sol
Todo amor que emanar, pra cantar o sol
Dança, dança, dança pra cantar o sol
Todo amor que emanar, pra cantar o sol
Fiz do meu corpo cabana
Pra cantar o sol
Fiz de um ano semana
Pra cantar o sol
Fiz do amor porcelana
Pra cantar o sol
Fui cigarra e cigana
Pra cantar o sol
Dança, dança, dança pra cantar o sol
Todo amor que emanar, pra cantar o sol
Fui tua mão que me esgana
Pra cantar o sol
O que o brilho não empana
Pra cantar o sol
Meu amor tinha gana
De cantar o sol
Virgem santa e sacana
Pra cantar o sol
Dança, dança, dança pra cantar o sol
Todo amor que emana, pra cantar o sol


Oswaldo Montenegro

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Sem mandamentos



Hoje eu quero a rua cheia de sorrisos francos
De rostos serenos, de palavras soltas
Eu quero a rua toda parecendo louca
Com gente gritando e se abraçando ao sol
Hoje eu quero ver a bola da criança livre
Quero ver os sonhos todos nas janelas
Quero ver vocês andando por aí
Hoje eu vou pedir desculpas pelo que eu não disse
Eu até desculpo o que você falou
Eu quero ver meu coração no seu sorriso
E no olho da tarde a primeira luz
Hoje eu quero que os boêmios gritem bem mais alto
Eu quero um carnaval no engarrafamento
E que dez mil estrelas vão riscando o céu
Buscando a sua casa no amanhecer
Hoje eu vou fazer barulho pela madrugada
Rasgar a noite escura como um lampião
Eu vou fazer seresta na sua calçada
Eu vou fazer misérias no seu coração
Hoje eu quero que os poetas dancem pela rua
Pra escrever a música sem pretensão
Eu quero que as buzinas toquem flauta-doce
E que triunfe a força da imaginação


quinta-feira, 3 de março de 2011

Metade

Vijender Sharma

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.


Oswaldo Montenegro

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Metade


drawing by Katrina Francisco

Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.

Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda, que tristeza.
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor, apenas respeitadas
como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos.
Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço.
Que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada.
Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que eu fui, mas a outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos apronte uma resposta, mesmo que ela não saiba, e que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é platéia: a outra metade, a canção.
E que a minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é AMOR e a outra metade TAMBÉM!

Oswaldo Montenegro

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Noturno



Pelo amor de Deus, só me abandone de noite.
Se quiser viajar sem mim, se ficar louca por outra pessoa
Ou até se quiser visitar sua família e não me levar,
vai de noite.
Nunca, mas nunca mesmo, me deixe de dia.
Não vá me expor aos camelôs gritando, ao sol a pino, à modernidade clara.
Fique comigo mesmo sem querer, só até às seis da tarde.
Não me deixe sozinho com mulheres histéricas no supermercado, os senadores atrasados, as lanchonetes rapidinhas.
Agora, de noite pode ir.
Eu e os meus fantasmas, apesar de saudosos,
sobreviveremos à sua falta
Noturnos.
Assim seja.


Oswaldo Montenegro

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Texto de Libra



Libra é o signo da harmonia.
Da harmonia da valsa e da escola de samba.
Mas não da harmonia que faz tudo ficar igual e repetitivo.
É o signo do equilíbrio que das diferenças.
Dos mil tipos que somos e vemos no mundo.
Todos humanos. Deuses da imperfeição e lindos.
Mas não da harmonia que nos faz pensar, andar e vestir igual a todo mundo.
É o signo da balança.
Do equilíbrio que há no espaço e no fundo do fundo de cada homem.
Mas não do equilíbrio forçado que descaracteriza as pessoas e as torna sem brilho.
É o signo da harmonia de cada acorde desafinado, de toda árvore torta, de todo louco, de toda pedra pontuda.
É signo da balança.
Do equilíbrio das diferenças.
Como são diferentes e equilibradas as sete cores do arco-íris.
Que juntas, ainda diferentes e equilibradas, formam o branco da paz.


Oswaldo Montenegro