Mostrando postagens com marcador Menotti Del Picchia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Menotti Del Picchia. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Piedosa Mentira

© Omur Yilmaz 




Ontem na tarde loura e de aquarela,
alguém me perguntou: "Como vai ela?
Como vai teu amor?" - Eu respondi:
"Não sei. Uma mulher passou na minha vida,
mas não lembro... " E, nessa hora comovida,
como nunca lembrava-me de ti!
E menti por pudor... A mágoa que alvoroça
nosso peito é tão santa, tão pura, tão nossa
que se esconde aos demais.
E se uma voz indaga contristada:
" Estás sofrendo?" - "Não, não tenho nada..."
E é quando a gente sofre mais..

Menotti Del Picchia

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Velha Canção

Volchenkov Vitaliy



Não penses que não te espero 
na aparente indiferença.
Esta fingida descrença
só disfarça desespero. 

Se a falsa máscara fria
pudesse quebrar esta ânsia
saberias que a constância
é meu pão de cada dia.

Um pudor duro e severo
esperar desesperado
é o que nutre este pecado
de querer como te quero.

Destarte - tímido louco -
não ouso sondar tua alma
e nesta insofrida calma
dia a dia morro um pouco.


Menotti  Del Picchia

domingo, 24 de junho de 2012

Poemas do Vento



Gastar-se no tempo
diluir-se no vento
evolar-se no sonho
deixando
- haverá quem o colha? -
um resíduo...
               Memória.
Levarei por onde ande
uma inquietação mais nada
impulso vital que extingo
dentro de um pouco de lama.
Tal que o vento que baila
fazendo seu corpo efêmero
com a poeira das estradas...


Menotti Del Picchia

sábado, 16 de abril de 2011

by elena dudina

A beleza das coisas te devasta
como o sol que fascina mas te cega.
Delas contundo a luminosa entrega
nunca se dá, melhor, nunca te basta.

E a imensa paz que para além te arrasta
quanto mais se te esquiva ou te renega…
Paz tão do alto e paz dessa macega
que nos campos esplende à luz mais casta.
A beleza te fere e todavia
afaga, uma emoção (sempre a primeira e nunca
repetida) que conduz

o teu deslumbramento para um dia
à noite misturado, na clareira
em que te sentes noite em plena luz.


Menotti del Picchia

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Felix Francois Barthelemy Genaille (1826-1885)

Goza a euforia do voo do anjo perdido em ti
Não indagues se nossas estradas, tempo e vento
desabam no abismo
que sabes tu do fim?
Se temes que o teu mistério seja uma noite,
enche-a de estrelas.
Conserva a ilusão de que o teu voo te leva
sempre para o mais alto.
No deslumbramento da ascensão,
se pressentires que amanhã estarás mudo,
esgota, como um pássaro,
as canções que tens na garganta.
Canta, canta para conservar uma ilusão
de festa e vitória.
Talvez as canções adormeçam as feras
que esperam devorar o pássaro.
Desde que nasceste,
não és mais que um voo no tempo.
Rumo aos céus? O que importa a rota?
Voa e canta,
enquanto resistirem as tuas asas.

Menotti Del Picchia

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Connie Tom


Todos na vida temos um entardecer
Somos como as árvores
A infância é verde
A mocidade um festivo explodir
De brotos e de flores

É na hora melancólica da tarde
Que surgem e amadurecem os frutos.


Menotti Del Picchia