quarta-feira, 20 de abril de 2022

A técnica do quadrado



São quatro os ângulos deste soneto,

que levo de uma a outra margem:

sem rima nem metro, balança in-

deciso entre folhas e nenúfares.


Com os remos do verso faço

avançar o barco da estrofe; e

quando chego a meio da imagem,

todos os reflexos se apagam.


Podes então pegar num terceto

e usá-lo, como um leque, para

que a respiração volte ao seu ritmo.


E se não souberes o que fazer

do fim, volta ao princípio e ouve,

no silêncio, a música das rãs.


 Nuno Júdice