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| Ricardo Fernandez Ortega. |
Equilibrado na beirada do abismo
quem sabe caia ou talvez vá voar.
Noite cerrada, ferro, fogo, batismo,
anjo nenhum vai conseguir me escorar!
Vai com açúcar ou prefere adoçante?
Anjo-da-guarda se recusa a provar
Nada a perder, nada a ganhar.
Enlouquecer ou delirar.
E eu ainda insisto em andar
onde os anjos não ousam pisar.
Na matinê morro de tiro ou de tédio.
Se Deus morreu quem é que vai me enterrar?
Prefiro o brilho do meu próprio remédio.
Anjo-da-guarda se recusa a olhar.
A camisinha você trouxe, meu bem?
Deixa, meu anjo, que eu não vou gozar.
Alma vazia, vendi todos os móveis.
Levei na troca pó-de-pirlimpimpim.
Luz na neblina, solidão, automóveis,
molhado asfalto das esquinas de mim.
Abandonado por meu próprio destino,
fazendo força pra seguir sem pensar.
Dentro do peito agonizando o menino
que se perdeu porque não soube chorar.
Se não tem cura eu toco um tango argentino
olhando o anjo que não sabe dançar.
Onde eu passo sem ter que pensar
nenhum anjo consegue voar...
Composição : Zé Rodrix / Etel Frota
