quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Lago dos Cisnes


Foram meus olhos, duas asas tontas
que ao teu redor, como ao redor da luz
queimaram suas ânsias e ficaram
mortos no chão, como cigarras mortas...

No bailado em que estavas, sobre o palco,
meu desejo - esse fauno de alma triste,
tomaria teu corpo e bailaria
até que o mundo se fundisse ao sonho...

Olhos de luar e vinho que me seguem
na ária da solidão em que me envolvo
sem volta, sem partida, sem transcurso...

Foram meus olhos que te descobriram
e ficaram vagando esse abandono
de cisne branco sobre o lago imenso...


J.G. de Araújo Jorge