segunda-feira, 5 de julho de 2010


Espero por ti no fim do mundo
ou no princípio dele,
enquanto as sementes secam ao sol
que não nasce
e as palavras se perdem
num verso sem peso nem medida.

És a que não chega:
promessa do amor que enche
os espelhos, brilho
da treva que assombra
o cristal.

E quando olho pela janela,
como se viesses do fundo da rua,
só a tarde dobra essa esquina
que te viu partir
com os olhos húmidos da manhã nua.

Nuno Júdice