Perco, em média, três poemas por semana,
por descuido e desmazelo.
Ainda há pouco um solicitou-me a atenção
e, perdulário, fingi não vê-lo.
Ah, o que perco por soberba,
o que perco talvez por não aceitar
o que eu mesmo me ofereço.
Os que me vêem passar
Me pensam rico, no entanto,
O que perdi não tinha preço.
Affonso Romano de Sant’Anna
